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Parasitologia

Parasitas

Tal como o seu nome sugere, as parasitoses intestinais são infecções do aparelho gastro-intestinal causadas por um grupo de organismos designados por "parasitas". Estes englobam organismos de tamanho e características muito diferentes, desde microrganismos (alguns destes parasitas apenas se conseguem visualizar ao microscópio) até parasitas com vários metros de comprimentos, como acontece com as ténias (mais conhecidas como "bicha solitária").
Embora a prevalência destes organismos tenha diminuído nos últimos anos, devido à melhoria das condições sanitárias gerais na população portuguesa, continuam a ter um peso importante nos distúrbios do foro gastro-intestinal, desde queixas de gravidade variável, síndromas de mal-aborção, etc. Os grupos mais afectados são as crianças, doentes com defesas diminuídas (por exemplo imunodeprimidos por transplantação, infecção VIH ou terapêuticas imunossupressoras por outros motivos) e viajantes que regressam de países com menor índice sanitário, mas qualquer indivíduo com queixas gastrointestinais não esclarecidas deverá ser submetido a um estudo para pesquisa de parasitas intestinais.

O teste de pesquisa destes parasitas é bastante simples, bastando para isso a recolha de fezes em recipiente próprio, o que poderá ser feito com facilidade em casa e depois transportado para o Laboratório. O único requisito adicional, é a exigência de se recolherem três amostras de fezes, idealmente em dias alternados (ex: recolher à segunda, quarta e sextas-feiras). Uma vez feito o diagnóstico, o tratamento é simples e por regra eficaz, conseguindo-se a eliminação do parasita na grande maioria dos casos.

Indíce

Array-CGH (aCGH)

Nematodes

Trichuris trichiura

É o 3º parasita mais comum no Homem. Mais frequente em países com clima tropical e baixas condições sanitárias. Em infecções ligeiras o doente é geralmente assintomático. Nas infecções graves (sobretudo nas crianças) os sintomas mais frequentes são diarreia, desconforto abdominal e disenteria. O diagnóstico desta infecção é feito pela pesquisa de ovos, quistos e parasitas em amostras de fezes.

Trichuris trichiura

Ascaris lumbricoides

O Ascaris lumbricoides é um parasita intestinal muito frequente, com maior prevalência em pessoas malnutridas residentes em países com condições de saneamento básico precárias. As pessoas são infectadas através da ingestão de vegetais ou fruta contaminada que não foi cuidadosamente lavada, descascada ou cozida.
Os ovos infecciosos são ingeridos e as larvas iniciam um processo de migração, desde o intestino até aos pulmões, os parasitas adultos vivem no intestino delgado e podem causar doenças intestinais. Diarreia, dor e desconforto abdominal são sintomas comuns. A apendicite, pancreatite, obstrução biliar e abcessos hepáticos são possíveis complicações. O diagnóstico é feito através da pesquisa de ovos nas amostras de fezes ou pela observação e identificação do parasita adulto.
Esta parasitose pode ser prevenida através da lavagem das mãos com sabão e água morna, antes de manusear os alimentos. Evitar a ingestão de alimentos crus em zonas endémicas.

Ascaris lumbricoides

Enterobius vermicularis

Representa a infecção mais comum de todos os nematodos.
A transmissão da infecção é por via fecal-oral.
O parasita adulto reside no ceco ou recto.
Os sintomas ocorrem quando o parasita fêmea deposita os ovos, durante a noite, nas pregas ou fendas perianais (prurido anal mais frequente à noite).
Esta parasitose é mais prevalente na criança e na mulher. A uretrite e vaginite ocorrem em mulheres jovens com infecções mais graves.
O diagnóstico laboratorial é feito através da observação dos ovos e parasitas nas fezes ou através do teste de Grahan (teste da fita cola).

Enterobius vermicularis

Strongiloides stercoralis

Este parasita é classificado como sendo um helminta e tem uma distribuição mundial. Ao contrário da maioria dos parasitas intestinais, a sua transmissão não se faz através da ingestão de formas parasitárias, mas sim através do contacto com o solo, onde as larvas conseguem sobreviver, tendo ainda a capacidade de penetrar através da pele humana. O seu destino é o intestino, local onde se desenvolve o parasita adulto e onde são colocados os ovos. Também aqui este parasita tem um comportamento diferente do habitual, uma vez que as larvas saem dos ovos ainda dentro do intestino, pelo que é através da sua observação nas fezes que se realiza o diagnóstico desta infecção. Outra consequência desta libertação “precoce” das larvas é a possibilidade de auto-infestação, ou seja, as larvas podem reiniciar uma nova infecção e transformar-se em parasitas adultos sem sair do corpo do indivíduo infectado, perpetuando assim a infecção que pode persistir, sem diagnóstico nem tratamento, por toda a vida.
Embora a clínica se manifeste habitualmente através de queixas gastro-intestinais ligeiras, tosse seca ou exantemas (manchas no corpo), podem surgir nas infecções graves e potencialmente letais em doentes imunodeprimidos, como doentes com infecção HIV/SIDA, transplantados ou doentes a fazerem corticosteróides.

Strongiloides stercoralis

Hymenolepsis nana

A Hymenolepsis nana tem uma distribuição mundial, sendo uma das infecções por cestodos mais frequentes no homem, sobretudo na criança. É a espécie mais frequente no Homem (a Hymenolepsis diminuta é rara no homem). A infecção ocorre, sobretudo, através da ingestão de água e comida infectada com ovos deste parasita.
Nas infecções leves os sintomas podem estar ausentes, ou limitados a dor abdominal e diarreia. Nas infecções graves podem ocorrer anorexia, dor abdominal, diarreia, dores de cabeça e prurido anal.
Outro achado frequente (4% a 16% dos casos) é a presença de eosinofilia, na analise laboratorial do hemograma.
O diagnóstico laboratorial é feito pela presença dos ovos em amostras de fezes. Ou pela identificação do parasita adulto, através de características morfológicas especificas.

Hymenolepsis nana

Isospora beli

Causa uma doença caracterizada por diarreia e má absorção.
O seu significado clinico é limitado.
A presença de doença severa está sobretudo associada a doentes com imunossupressão. Nestes casos os sintomas são febre, dores de cabeça, diarreia com gordura e perda de peso. A sua frequência aumentou com o aumento da prevalência de VIH.
A transmissão é feita através da ingestão de água e comida contaminada.
O diagnóstico laboratorial é feito através da observação de oocistos nas amostras de fezes. O seu diagnóstico deve alertar o médico assistente para a provável existência de comportamentos de risco.

Isospora beli
Se tiver alguma questão adicional: