Otoscópio, séc. XIX - Metal, cartão, têxtil - Wulfing-Luer (Paris, França)
Colecionar é guardar a memória
Ao longo da minha vida, fascinaram-me não apenas a ciência e a prática da Medicina, mas também os seus instrumentos, livros e objetos – testemunhos silenciosos de séculos de dedicação ao conhecimento e ao cuidado humano.
Cada microscópio, cada manual antigo, cada peça cirúrgica ou de diagnóstico aqui reunida encerra uma história: da curiosidade científica, do engenho da técnica, do progresso, mas também da coragem e da perseverança dos médicos que nos antecederam.
Este museu nasceu da paixão de preservar a memória da Medicina e partilhar o fascínio que ela sempre me despertou. Não se trata apenas de um espaço de exposição, mas de um lugar de memória e de aprendizagem, onde a arte, a ciência e a história da Medicina se encontram.
Ao abrir estas portas, partilho convosco uma parte da minha própria paixão de colecionador, com a esperança de que cada visitante aqui encontre inspiração, respeito e admiração pela longa viagem da Medicina até aos nossos dias.


constituída por cerca de 500 objetos e 700 monografias
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
A Coleção Professor Germano de Sousa materializa, de forma notável, a história dos cuidados de saúde, cruzando as dimensões do diagnóstico e tratamento médicos.
Constituída por cerca de 500 objetos, 700 edições monográficas e 20 dossiers de documentação, a coleção abrange bens de natureza museológica, arquivística e bibliográfica, conjunto que permite traçar a evolução dos saberes e das práticas médicas desde as conceções greco-latinas clássicas até à contemporaneidade, com especial destaque para as áreas de Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Urologia, Ginecologia/Obstetrícia e Cirurgia. O acervo integra ainda um conjunto significativo de instrumentos e materiais que documentam a transformação técnica e científica da prática laboratorial.
Veja os objectos da colecção
Estufa, Séc. XIX - Bronze
Pote de botica, Séc. XVII - Faiança
Esfigmomanómetro, séc. XIX - E. Spengler (Paris)
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Vaso de botica, Sécs. XVII-XVIII - Faiança
Irrigador vaginal, séc. XIX - Maurice Eguisier (1813-1851)
Bacia de barbeiro-sangrador, Séc. XIX - Faiança
Livro - Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Lanceta de dois gumes, Séc. XVIII-XIX - Metal, chifre
Farmácia portátil, Séc. XIX - Madeira, metal, vidro, papel
Almofariz com mão - Península Ibérica, Sécs. XV-XVI - Bronze
Microscópio - G. Gardiner (Londres), 1792 - Bronze, vidro
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Livro - Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Urinol masculino, séc. XX - Cerâmica
Optómetro, séc. XIX - Metal, vidro, marfim, baquelite
Livro - Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Livro - Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
conhecer o percurso histórico dos cuidados médicos através dos instrumentos
DA BOTICA À FARMÁCIA
A cerâmica farmacêutica foi utlizada, a partir do século XII, para guardar e conservar produtos com propriedades farmacêuticas e medicamentos já elaborados, muitas vezes perecíveis e de difícil preservação.
A sua decoração era pensada para facilitar a identificação do conteúdo, estando simultaneamente ligada ao gosto da época da sua execução.
O MICROSCÓPIO
A história do microscópio começa no século XIII com o fabrico das primeiras lentes óticas, em 1285, pelo florentino Salvino d´Amato (1258-1312).
No século XVI, Zacharias Jansen (c.1580-c.1632) conseguiu uma combinação de lentes que lhe permitiu ampliar imagens. Com o gradual aperfeiçoamento das lentes, Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723), físico holandês, desenvolveu um microscópio biconvexo capaz de ampliações de 200x, o que lhe permitiu identificar, pela primeira vez, glóbulos vermelhos, espermatozoides, bactérias, protozoários e outras estruturas invisíveis a olho nu.
INSTRUMENTOS DE DIAGNÓSTICO
Entre o final do século XVIII e até ao princípio do século XX, vários progressos técnicos e científicos transformaram o modo de compreender a saúde e permitiram o surgimento de novos métodos de diagnóstico, profilaxia e tratamento. Instrumentos como o estetoscópio, o esfigmomanómetro ou o termómetro possibilitaram a medição de sinais internos e correlacioná-los com sintomas, tornando a sua utilização fundamental na prática médica.
CIRURGIA
A cirurgia pode ser definida como a alteração estrutural do corpo humano por incisão ou rompimento de tecidos com propósito terapêutico (curativo ou paliativo), de diagnóstico ou de reconstrução e os primeiros procedimentos cirúrgicos datam de cerca de 6500 a.C, com a realização de trepanações.
Durante séculos, a cirurgia foi extremamente arriscada e dolorosa devido à inexistência de anestesia, à ausência de práticas higiénicas e ao reduzido conhecimento anatómico e fisiológico. Só no século XIX, com a introdução da anestesia (éter e clorofórmio), foi possível realizar cirurgias mais complexas levando ao desenvolvimento e à criação de uma diversidade de instrumentos cirúrgicos.
OFTALMOLOGIA
A Oftalmologia, parte das ciências médicas que estuda os olhos sob todos os aspetos, nomeadamente anatómicos, fisiológicos e patológicos, é uma das especialidades mais antigas da Medicina, mas os avanços mais significativos iniciaram no final do século XVIII com desenvolvimento de lentes corretivas para miopia e hipermetropia através do uso das primeiras lentes convexas e côncavas. No século XIX, a introdução de técnicas cirúrgicas mais precisas e o uso de anestesia para a realização de cirurgias oculares constituiu um outro momento importante na especialidade.
OTORRINOLARINGOLOGIA
O desenvolvimento da Anatomia e da Fisiologia, durante o século XVIII, permitiu um melhor entendimento das estruturas do ouvido, do nariz e da garganta. No século seguinte, o campo de conhecimento teórico consolidou-se a par com o desenvolvimento de instrumentos específicos e a melhoria das técnicas de diagnóstico e de cirurgia.
Será, no entanto, no século XX que a Otorrinolaringologia se consolidou como especialidade médica, formalmente reconhecida em 1904. A introdução de aparelhos auditivos, os novos tratamentos cirúrgicos como a remoção de amígdalas e adenoides, e o desenvolvimento dos exames audiométricos revolucionaram o tratamento de doenças relacionadas com o ouvido, o nariz e a garganta.
UROLOGIA
A Urologia estuda e trata os problemas e doenças do aparelho urinário e sexual masculino e constituiu-se como especialidade médico-cirúrgica no final do século XIX, com a realização da primeira cistoscopia por Max Nitze, em 1877. Este primeiro acesso “real” à observação dos órgãos do interior do corpo, permitiu uma revolucionária abordagem das doenças do aparelho urinário inferior — uretra e bexiga.
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
A ginecologia e a obstetrícia concentram-se na saúde reprodutiva e no processo de maternidade, mas também desempenham um papel crucial no diagnóstico e tratamento de diversas condições da saúde feminina.
Com raízes em civilizações antigas, e com especial enfoque nos cuidados durante a gravidez e parto, os séculos XIX e XX testemunharam um desenvolvimento revolucionário como, por exemplo, a introdução da anestesia no parto ou a práticada assepsia, que reduziu drasticamente as taxas de infeção e mortalidade maternas. Foi, no entanto, no século XX que avanços significativos na compreensão da fisiologia feminina e na tecnologia médica, como a ultrassonografia, revolucionaram o acompanhamento pré-natal.
OS HUMORES CORPÓREOS
A Teoria dos Humores Corpóreos desenvolvida por Hipócrates (460-370 a.C.), mestre da Escola de Cós (Grécia), e aprofundada pelo médico árabe Galeno (126-c.216), assentava na ideia de que o corpo humano era constituído por fluídos, ou humores, que tinham, na sua composição, sangue (quente e húmido), fleuma (fria e húmida), bílis amarela (quente e seca) e bílis negra (fria e seca). Estes líquidos em desequilíbrio causariam a doença e a terapêutica assentava na libertação dos humores excessivos através de purgantes, clisteres ou sangrias. Esta teoria perdurou até ao século XIX.
Materiais que documentam a transformação técnica e científica da prática laboratorial
Colecção de Medicina Professor Germano de Sousa
O espaço expositivo tem o propósito de se afirmar como um lugar de preservação e de memória, convidando o visitante a conhecer o percurso histórico dos cuidados médicos através dos instrumentos, objetos, livros e documentos. Organizados em 10 núcleos - Os Humores Corpóreos, Da Botica à Farmácia; O Microscópio; Instrumentos de Diagnóstico; Cirurgia; Oftalmologia; Otorrinolaringologia; Urologia e Ginecologia e Obstetrícia - o colecionador partilha o seu fascínio pela materialidade da ciência e da prática da Medicina.
Visitas e marcações:
As visitas de grupos organizados estão sujeitas a marcação prévia, através do email:
secretaria@germanodesousa.comNa marcação por email devem constar as seguintes informações:
- Identificação do grupo/Escola;
- Número de visitantes;
- Contactos do responsável pelo grupo;
- Data e hora pretendida.
A marcação está sujeita a confirmação.
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