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Perguntas e respostas sobre o cancro da Próstata

Introdução

Neste artigo procuramos responder a algumas questões sobre “Próstata” e as patologias mais frequentes, abordando temas, tais como: O que é a próstata; patologias associadas; métodos de diagnóstico; tipos de tratamento; testes e marcadores.

 

Se tiver alguma questão adicional envie-nos um email para pca3@germanodesousa.com ou ligue para 800 209 498.

 

Adicionalmente aconselhamos a leitura do artigo sobre o teste PCA3 - Gene 3 do cancro da próstata, e o seu método inovador nesta área que permite uma melhor exactidão no diagnóstico do cancro da próstata.

Indíce

A próstata (o que é?)

Patologias mais frequentes

Testes /marcadores

Germano de sousa - pca3

A próstata (o que é?)

A próstata é uma glândula exócrina que faz parte do sistema reprodutor masculino. No seu interior passa a uretra (o canal pelo qual a urina é eliminada do corpo). A função da próstata é, entre outras, fabricar uma porção do esperma (líquido expelido durante a ejaculação). Como a próstata envolve a uretra, um aumento do volume prostático pode dificultar e impedir a passagem de urina.
(Patologias mais frequentes…)

Patologias mais frequentes da Prostáta

Prostatite Aguda

Este problema caracteriza-se por um episódio passageiro de inflamação aguda da próstata, quase sempre provocado por uma infecção de origem bacteriana. As bactérias envolvidas com maior frequência neste processo infeccioso são a Escherichia coli e o Streptococcus faecalis, microorganismos que costumam habitar no intestino e que, apesar de normalmente não provocarem problemas, por vezes, contaminam a pele dos genitais, de onde conseguem atravessar o meato urinário, penetrar na uretra e provocar uma infecção praticamente em qualquer dos tractos das vias urinárias.

Embora estes microorganismos costumem chegar à próstata a partir da própria uretra, é igualmente possível que venham de tractos superiores das vias urinárias previamente infectados, tais como a bexiga, os uréteres e os cálices renais.

Sintomas mais frequentes na Prostatite Aguda:

  • Obstrução vesical com dificuldade em iniciar a micção;
  • Fluxo débil e interrompido;
  • Retenção urinária;
  • Nictúria (despertar nocturno para urinar);
  • Polaquiúria (urinar muitas vezes);
  • Disúria acentuada (dor a urinar);
  • Microhematúria (presença de sangue na urina);
  • Dor perineal;
  • Febre elevada

Prostatite Crónica

A inflamação persistente da próstata tanto pode ser de origem bacteriana como ser provocada por outros motivos. A prostatite crónica bacteriana constitui uma complicação relativamente frequente.

Sintomas mais frequentes na Prostatite Crónica:

  • Obstrução vesical crónica leve ou média com dificuldade em iniciar e terminar micção;
  • Fluxo por vezes diminuído e interrompido;
  • Eventual retenção urinária;
  • Nictúria (despertar nocturno para urinar);
  • Polaquiúria (urinar muitas vezes);
  • Disúria (dor a urinar);
  • Desconforto perineal

Infecção urinária (IU)

É provocada por microorganismos patogénicos nalguma parte do trato urinário. Quando surge no rim, chama-se pielonefrite; na bexiga, cistite; na próstata, prostatite e na uretra, uretrite. A grande maioria das infecções urinárias é causada por bactérias, mas também podem ser provocadas por vírus, fungos e outros microorganismos.
A maioria das infecções urinárias ocorre pela invasão de alguma bactéria da flora bacteriana intestinal no trato urinário. A bactéria Escherichia coli, representa 80-95% dos invasores infectantes do trato urinário. Quase sempre, o doente apresenta sintomas, como dor, ardor, urgência para urinar e aumento da frequência e os exames laboratoriais mostram bactérias na urina.

Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP)

é caracterizada pelo aumento benigno do volume da próstata que normalmente se manifesta em homens com mais de 45 anos. Pode provocar estreitamento da uretra com dificuldade de micção. É caracterizada por uma hiperplasia das células prostáticas, resultando na formação de nódulos na região da próstata que circunda a uretra. Quando suficientemente volumosos, os nódulos comprimem o canal uretral causando obstrução parcial, ou às vezes completa, da uretra, desta maneira interferem no fluxo normal da urina.
Isso causa sintomas de dificuldade urinária, polaquiúria, nictúria e aumento do risco de infecção do trato urinário e retenção urinária.
Embora os níveis de antígeno específico da próstata (PSA) possam estar elevados nestes pacientes devido ao volume maior do órgão e inflamação devido a infecções do trato urinário, a hipertrofia ou hiperplasia prostática benigna não é uma lesão pré-maligna.

Cancro da próstata ou carcinoma da próstata:

Entre as diversas características que se podem encontrar no carcinoma da próstata, salienta-se a semelhança que ainda existe, ou não, entre o tumor e a glândula prostática de onde se origina. O grau de semelhança é medido pelo chamado score de Gleason: um Gleason baixo significa que o tumor é mais semelhante à glândula prostática, enquanto um Gleason alto (máximo 10) significa o contrário. A um Gleason baixo corresponde habitualmente um melhor prognóstico.

Como é feito o diagnóstico do cancro da próstata (?)

O diagnóstico do cancro da próstata é estabelecido com base no exame prostático (habitualmente designado por “toque rectal”), no PSA (medição do antigénio específico da próstata nas suas formas total e livre) e na biópsia prostática. No entanto outros exames poderão ser realizados no caso do médico considerar adequado, como por exemplo, o teste ou marcador PCA3 (Gene 3 do cancro da próstata) teste de biologia molecular que contribui para melhorar a exactidão do diagnóstico do cancro da próstata.

Sintomas mais frequentes, nos estádios tardios do Cancro da próstata, e praticamente inexistentes na sua fase inicial:

  • Obstrução vesical inferior com dificuldade em iniciar e terminar a micção;
  • Fluxo débil e interrompido;
  • Retenção urinária;
  • Nictúria (despertar nocturno para urinar);
  • Polaquiúria (urinar muitas vezes);
  • Disúria por infiltração capsular (dor ao urinar);
  • Hematúria (sangue na urina);
  • Sintomas relacionados com a existência ou não de metástases

Biópsia da Próstata (o que é?)

Biópsia da próstata é um procedimento cirúrgico mediante o qual se obtêm segmentos (ou fragmentos) da próstata para serem estudados pelo médico.

Como se faz a biópsia da Próstata?

Há duas técnicas e em ambas utiliza-se uma agulha composta por um segmento ou vareta findo em ponta que se desliza dentro de um cilindro delgado. Ao girar ou ao retroceder o segmento interno dentro do cilindro produz-se o corte.
A técnica mais comum é introduzir uma agulha flexível acoplada a uma sonda ecográfica através do ânus e atravessar com a agulha a parede do recto até chegar à próstata. O outro método usa uma agulha rígida no espaço que há entre o escroto e o ânus, atravessando os tecidos até chegar à próstata, ajudado por uma sonda ecográfica colocada paralelamente à agulha e que é introduzida no recto.
Em ambos casos utiliza-se uma pistola de mola que dispara a parte interna da agulha para dentro. Depois, retrocede-se a parte interna da agulha que tem um bisel que corta o tecido prostático ao retroceder.

Tratamentos do Cancro da Prostáta

Radioterapia

actualmente, a Radioterapia Externa é efectuada por técnicas tridimensionais. Nestas, o controlo da dose e área/volume a tratar é feita de uma forma muito precisa, com recurso a planificação e controlo por Tomografia Computorizada (vulgo “TAC”) e com equipamento sofisticado. É uma forma alternativa de tratamento do cancro localizado.

Braquiterapia

Braquiterapia é uma das terapêuticas possíveis – e actualmente mais utilizada – para o tratamento do cancro da próstata localizado, apresenta as mesmas indicações que as restantes terapêuticas para esta fase/estádio da doença. No entanto, apresenta algumas limitações práticas para a sua realização, em termos de volume prostático máximo aceitável.

Em princípio, está limitada a próstatas de volume inferior a 50cc, embora mesmo em casos de volumes superiores se possa efectuar um tratamento hormonal prévio à braquiterapia, para reduzir o volume do orgão e assim permitir a realização desta técnica. Existem outros critérios de inclusão/exclusão, que devem ser respeitados. Diferentes autores preconizam diferentes critérios para a realização desta técnica, sendo uns critérios mais restritivos do que outros.

Cirurgia da Próstata

A cirurgia é um tratamento mais usual nos estádios iniciais do cancro da próstata. Em alguns casos o médico pode remover toda a próstata ou só uma parte.
O médico pode explicar e detalhar os diferentes tipos de cirurgia, bem como comparar os possíveis riscos e benefícios para o doente nos vários casos.
A Próstata é completamente removida e os gânglios linfáticos regionais, através de uma incisão no abdómen.

Prostatectomia perineal radical:

A próstata é completamente removida, através de uma incisão efectuada entre o escroto e o ânus. Os gânglios linfáticos regionais são, por vezes, removidos através de uma outra incisão, efectuada também no abdómen.

Ressecção Trans-Uretral da Próstata (RTUP):

A próstata é removida em parte, com um instrumento que é inserido através da uretra. O tumor é separado da próstata, recorrendo a uma corrente eléctrica que passa através de um fio eléctrico. Na RTUP não é removida a totalidade da próstata e pode acontecer em certos casos o cancro não ser removido completamente, embora se remova o tecido que impede o fluxo urinário.
(Testes /marcadores)

Testes e marcadores para diagnóstico do cancro da Prostáta

PSA

O que é o PSA

PSA quer dizer: “Antigénio Específico da Próstata” (utiliza-se internacionalmente a sigla PSA, do inglês “Prostate Specific Antigen”).
Trata-se de uma glicoproteína com função de enzima, uma protéase, produzida quase exclusivamente pelas células epiteliais da próstata, cuja função consiste em liquefazer o esperma, ou seja, tornar o esperma líquido após a formação do “coágulo” no esperma ejaculado. Existe portanto no esperma, mas também nas células da próstata (quer benignas quer malignas) e no sangue periférico.

É assim possível medir os níveis de PSA no sangue, através de uma simples análise sanguínea. O valor obtido permite ajudar a diferenciar se estamos em presença de uma situação de aumento benigno da próstata ou de cancro deste orgão. Se houver uma suspeita da presença de cancro, deve ser realizada uma biópsia da próstata e/ou a realização do teste PCA3.

PSA total

O PSA total é um marcador tumoral, do cancro da próstata, mas não é exclusivo desta doença. Aliás, nem sequer é exclusivo da próstata, embora nos outros orgãos onde se encontra (algumas glândulas) esteja presente em quantidades muito reduzidas. Sendo um dos melhores marcadores tumorais existentes, não é contudo específico, pelo que o seu aumento não corresponde necessariamente à presença de um cancro da próstata.

O PSA Livre

No Cancro da Próstata existe uma maior percentagem de PSA do que na hipertrofia benigna da próstata (HBP). Inversamente na HBP a percentagem de PSA livre é maior que no Cancro da Próstata.

Se, para valores entre 2-20 ng/ml, a Relação PSA Livre/PSA-ACT for inferior ao limiar de 0,23 deverá investigar-se a possível existência de cancro da próstata.

Se, para valores entre 2-20 ng/ml, a Relação PSA Livre/PSA-ACT for superior ao limiar de 0,23 deverá investigar-se a possível existência de HBP

PCA3

O gene 3 do cancro da próstata

O Gene 3 do cancro da próstata é o primeiro marcador molecular que pode contribuir para minimizar os problemas anteriormente referidos e melhorar o diagnóstico do cancro da próstata.

Ao contrário do PSA, o gene do PCA3 é específico do cancro da próstata, só sendo expresso no tumor prostático. Ao contrário do PSA, o gene do PCA3 é expresso em mais de 95 % dos tecidos prostáticos carcinomatosos, quando comparado com o tecido prostático tumoral benigno e com o tecido prostático normal do mesmo doente.

O PCA3 não é afectado pelo tamanho da próstata, mas apenas pelo tamanho da massa neoplásica prostática e pela agressividade tumoral.

O seu valor preditivo positivo (VPP de 75%) é pelo menos o dobro do VPP do PSA (VPP de 38%) e o seu valor preditivo negativo é de cerca de 90%.

Este novo ensaio detecta a presença de mRNA do gene PCA3 e mRNA de PSA a partir de uma amostra de urina, utilizando um método de amplificação mediada por transcrição (TMA). Este ensaio apresenta uma excelente exactidão.

Recolha da amostra para o teste PCA3

este ensaio detecta a presença de RNAmPCA3 na primeira urina (cerca de 20 a 30 ml), recolhida logo após o toque rectal, para tubo especial de transporte. O toque rectal é necessário para que se libertem células prostáticas para a urina. As amostras são estáveis a 2 a 8ºC durante 14 dias

Indicações para determinação do teste PCA3

Para os doentes que sejam considerados de Alto Risco para cancro da próstata, avaliados a partir da história familiar, exame físico e valor de PSA Total/PSA livre. Antes da primeira biópsia ou quando se vai ser sujeito a uma nova biópsia. Um resultado de PCA3 pode ser clinicamente significativo.
Para doentes que tenham feito uma ou mais biópsias inconclusivas.

O PCA3:

É altamente específico do cancro prostático;
Possibilita um diagnóstico não invasivo;
Reduz o número de biópsias;
Melhora os procedimentos que levam ao diagnóstico do cancro da próstata
Quantificam-se os mRNA do gene do PCA3 e do PSA, calculando-se um ratio de PCA3 baseado no cálculo: 1000 x [mRNAPCA3] / [mRNAPSA]
Resultados aumentados do ratio de PCA3 correlacionam-se com uma elevada probabilidade de encontrar uma biópsia prostática positiva.

Quanto mais alto o ratio de PCA3, maior a percentagem de homens com uma biópsia positiva. A partir de um ratio de PCA3 de 35, obtêm-se uma especificidade de 74%. Deste modo, o teste do PCA3 considera-se positivo se o ratio de PCA3 for superior a 35.

A partir do ratio de 35 existe uma maior probabilidade de ter um cancro de próstata, e como tal indica a necessidade de fazer uma biópsia da próstata. Com um ratio < 35 existe uma baixa probabilidade de ter um cancro da próstata, mesmo com um valor de PSA superior a 4 ng/ml. Um ratio desta natureza permite um intervalo maior entre biópsias.
O uso de PCA3 na rotina, em homens com valores de PSA elevados e com biópsias negativas, vai aumentar a capacidade de diagnóstico precoce de neoplasia, nestes homens, caso o resultado seja acima de 35, como também reduzir o número de biópsias desnecessárias, caso o resultado seja abaixo de 35. O uso do PCA3 combinado com o testes de PSA vai fazer aumentar a exactidão com se escolhe o timing das biópsias e como tal vai aumentar a capacidade diagnóstica das biópsias para detectarem cancros.

Um algoritmo que incorpore o PCA3 identifica melhor os homens em risco, que ao terem cancro prostático, beneficiaram de biópsia prostática. O PCA3 aumenta o VPP da biópsia inicial. A utilidade clínica é independente da idade e do valor de PSA total.

Interpretação dos resultados num teste PCA3

Um ratio >= 35 relaciona-se com uma elevada probabilidade de biópsia positiva.
Um ratio < 35 relaciona-se com uma baixa probabilidade de biópsia positiva.

Caso pretenda obter mais informação, consulte a área das Doenças - Artigo PCA3 Gene 3 do cancro da próstata

Se tiver alguma questão adicional:
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