Perguntas e respostas sobre a Patologia do Vírus do papiloma humano


Fontes informação.: Wikipédia; Soc. Portug. Papillomavirus; Inst. Nac. do Cancro; IPO Porto; Min. Saúde; Gineco.com; portal da Saúde.



O que é o HPV?

O vírus do papiloma humano (VPH ou HPV, do inglês human papiloma virus) é um vírus que infecta os queratinócitos da pele ou mucosas e possui mais de 200 serotipos diferentes. A maioria dos subtipos está associada a lesões benignas, mas certos tipos são frequentemente encontrados em determinadas neoplasias.

Diversos estudos revelam uma associação entre o HPV e o desenvolvimento do carcinoma do colo do útero, verrugas e outras patologias anogenitais. Torna-se então de extrema importância estudar este vírus, pois o carcinoma do colo do útero é um dos tipos de cancro que mais tem aumentado nos últimos anos.

Os vírus de alto risco, isto é, aqueles que têm maior probabilidade de provocar lesões persistentes e estar associados a lesões pré-cancerosas são os tipos: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68. Já os HPV de tipo 6 e 11, encontrados na maioria das verrugas genitais (ou condilomas genitais) e papilomas laríngeos, parecem não oferecer nenhum risco de progressão para malignidade, apesar de poderem igualmente ser encontrados numa pequena proporção em tumores malignos.

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Como pode ser transmitido o HPV?

O HPV é a doença sexualmente transmissível (DST) mais frequente. Pode infectar indivíduos de ambos os sexos, de todas as idades e etnias, independentemente da localização geográfica, infectando principalmente as áreas genitais femininas e masculinas, mas também qualquer outra região do corpo, bastando uma lesão como porta de entrada da pele ou da mucosa.

Este vírus foi já encontrado em locais como: olho, boca, faringe, vias respiratórias, ânus, recto e uretra. A infecção surge através do contacto epitelial directo (pele e mucosa) e mais raramente por via vertical, isto é, durante o parto, estando ainda também descritos alguns casos de transmissão por contacto urogenital.

O vírus pode estar presente durante alguns anos no colo do útero sem provocar doença, pode, no entanto, levar a lesões pré-malignas que se não forem tratadas tendem a evoluir para cancro.

O preservativo não protege contra a infecção pelo HPV, mas é recomendado o seu uso, devido à eficácia na prevenção de outras infecções sexualmente transmissíveis.

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O que é o Cancro do colo do útero?

É a consequência mais grave da infecção por HPV, os vírus de alto risco, de entre os quais (16,18,31,33,35,39,45,51,52,56,58,59,68) são responsáveis pela maioria dos casos deste tipo de cancro encontrados.

Os tipos de cancro que estão de alguma forma associados com o HPV incluem: cancro do colo útero, do ânus, da vulva, do pénis e da cabeça e pescoço. Destes, o mais importante (no sentido em que foi aquele em que se encontrou uma maior taxa de correlação com a infecção) é o cancro do colo do útero, considerando-se que 95% dos casos, ou até mais, são devidos ao HPV.

A transformação em células malignas é um processo lento, e ocorre em pessoas que têm uma infecção persistente e durante bastante tempo. Contudo, esta infecção pode não estar associada a manifestações como condilomas, o que justifica a realização de testes de rastreio regulares.

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Qual a história natural do HPV?

Estudos comprovam que entre 50% a 80% das mulheres sexualmente activas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento das suas vidas.

Porém, a maioria das infecções é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo sistema imunitário, principalmente entre as mulheres mais jovens, não apresentando sintomas e sinais óbvios.

A infecção pode também ocorrer no homem e embora as manifestações clínicas sejam menos frequentes do que na mulher, estima-se que cerca de 50% esteja também infectado por este vírus.

As lesões cutâneas (verrugas) não são em geral preocupantes do ponto de vista do quadro clínico. A principal complicação está relacionada com a evolução para cancro das lesões causadas por alguns tipos de HPV, em especial no colo do útero. As lesões observáveis por citologia ou biopsia são categorizadas em três estádios, que vão desde CIN-I (displasia ligeira) a CIN-III (carcinoma ‘’in situ’’), que tem elevada probabilidade de evoluir para cancro cervical invasivo. Uma maior extensão da displasia acarreta um pior prognóstico, pelo que quanto mais cedo é feito o diagnóstico, melhores são as hipóteses de que as lesões sejam controladas com tratamento.

Em doentes imunocomprometidos, o risco de evolução para cancro encontra-se elevado, devido à menor capacidade de resposta contra o agente agressor, assim como à diminuição da capacidade de detectar e destruir as células infectadas.

O resultado de um Papanicolau pode por vezes indicar a presença de células atípicas (ASCUS, do inglês atypical cells of undertemined significance). Como o nome indica, estas células atípicas não têm um significado claro, mas são uma indicação importante para que o seu Médico aumente a frequência da vigilância das lesões no colo do útero.

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Quais os sinais e sintomas mais frequentes do HPV?

Na maioria dos casos, a infecção pelo HPV não apresenta sintomas. O vírus pode no entanto ficar latente no corpo por muito tempo sem se manifestar, apesar de poder ser transmitido. Em determinadas situações, como por exemplo na gravidez ou numa fase de maior stress, em que ocorre imunossupressão, o vírus pode desenvolver-se de diferentes formas.

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Verrugas

A manifestação mais característica e frequente da infecção por HPV é a formação de verrugas, que são lesões hiperproliferativas benignas também designadas por papilomas. Contudo, diferentes subtipos de HPV, são responsáveis por infecção preferencial em diferentes zonas, sendo capazes de causar diversas patologias.

As Verrugas são normalmente causadas por subtipos cutâneos como o HPV-1 e HPV- 2, e podem ocorrer em locais como as mãos, os pés e a face, entre outros. A forma de transmissão do vírus inclui o contacto casual com zonas infectadas, podendo ocorrer auto-inoculação para novas áreas na mesma pessoa. Este tipo de manifestação está geralmente associada a indivíduos mais jovens, e não aparenta estar relacionada com um aumento do risco para cancro.

  • Condiloma acuminado: Mais de 30 variantes de HPV infectam a região genital, embora os tipos 6 e 11 sejam os principais responsáveis por cerca de 90% dos casos, podendo causar verrugas na vulva, pénis e ânus. Estes condilomas verificam-se sobretudo em populações adultas e sexualmente activas, sendo mais frequente nas mulheres (sensivelmente em dois terços dos casos).
  • Papilomatose respiratória: Esta manifestação rara decorre com a formação de verrugas ao longo das vias respiratórias, podendo causar obstrução à passagem do ar e obrigando a intervenções cirúrgicas recorrentes para a sua excisão.

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Como é feito o Rastreio e o Diagnóstico do HPV?

O diagnóstico pode ser feito através da história clínica, exames físicos e exames bioquímicos. O rastreio da sequela mais importante (o cancro do colo do útero) é feito por rotina através do Papanicolau, que embora não detecte a presença do vírus, permite reconhecer as alterações que ele causa nas células.

A biopsia é utilizada para a observação e caracterização das alterações celulares através da análise microscópica de uma amostra, e é efectuada em situações concretas, nomeadamente como resultado de uma citologia e colposcopia positivas.

A colposcopia e peniscopia são técnicas que permitem a pesquisa de condilomas nas mucosas, que constituem um sinal claro da infecção por HPV.

O teste para o despiste do HPV foi introduzido no diagnostico deste tipo de infecções e foram desenvolvidas técnicas de biologia molecular (como hibridização, PCR e captura híbrida) que permitem a detecção de DNA vírico em fragmentos de biopsia ou escovado cervical, e possuem ainda elevada especificidade e sensibilidade.

Estas técnicas são a única forma de diagnosticar inequivocamente o HPV.

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Como posso prevenir o HPV?

Estirpes cutâneas

Devido à cápside proteica, o HPV pode resistir durante períodos prolongados em várias superfícies. Alguns cuidados que podem evitar a infecção incluem:

  • Proteger os pés com calçado apropriado em balneários públicos;
  • Evitar o contacto com a superfície de sanitários de uso público, e outras superfícies com baixo nível de higienização;
  • Tratar as verrugas, para evitar que o vírus seja transportado acidentalmente para zonas de pele sadia e cause um novo foco (auto-inoculação).

Estirpes genitais

A principal via de contágio das variantes genitais do HPV é através de contacto sexual. Factores importantes na prevenção:

  • Evitar comportamentos sexuais de risco — Nomeadamente através do uso de preservativo com parceiros ocasionais, com a vantagem acrescida de proteger contra outras DSTs. De acordo com alguns autores, a aplicação de microbicidas tópicos antes da relação sexual, também parece prevenir a infecção por HPV;
  • Vacina contra o HPV — Estão já disponíveis no mercado vacinas para algumas das estirpes de HPV implicadas na génese do cancro do colo do útero e dos condilomas acuminados, que são capazes de evitar a infecção. É de notar, contudo, que não são eficazes caso a doença tenha sido adquirida antes da administração da vacina, e que apenas protegem contra a infecção por determinadas estirpes e não de todas, pelo que a realização de rastreios regulares continua a ser indispensável. Indivíduos infectados com um tipo de HPV podem ainda beneficiar do efeito protector da vacina contra a infecção pelos outros subtipos que esta cobre.

Comportamentos

Aprender sobre medidas preventivas e utilizá‐las de forma consistente. Aprender sobre sinais e sintomas de infecções de transmissão sexual, consequências e métodos de transmissão.

A mulher deve realizar regularmente um exame ginecológico e fazer a colpocitologia e/ou o teste de HPV‐DNA, se recomendado e disponível, mesmo que tenha feito a vacina. Na vigilância ginecológica pode discutir com o médico o rastreio de situações a que possa ter estado exposta.

- Preservativos

O uso de preservativos de látex e de poliuretano não protege contra a infecção pelo HPV, mas é recomendado o seu uso, devido à eficácia na prevenção de outras infecções sexualmente transmissíveis.

- Infecções

Ter em conta que os comportamentos prévios de um(a) parceiro(a) também são um factor de risco, principalmente se este(a) teve múltiplos(as) parceiros(as) anteriores.

- Vacinas

Fazer a vacina na mulher, de acordo com o Programa Nacional de Vacinação, ou consoante recomendação médica.

Adicionalmente é necessário:

  • Manter a higiene e visitar regularmente o médico, se estiver perante algum dos sintomas seguidamente descritos: comichão, corrimento, sangramento anormal (fora da menstruação) e dor durante na relação sexual.
  • Reduzido número de parceiros sexuais e uso do preservativo, apesar de alguns estudos revelarem que este não garante protecção contra a infecção. A maioria das pessoas sexualmente activas pode estar infectada!
  • Estão descritos como co-factores de risco para o desenvolvimento de cancro do colo do útero: hábitos tabágicos, uso de contraceptivos orais, presença de doenças venéreas, deficiências nutricionais, idade precoce da primeira relação sexual e múltiplos parceiros sexuais.

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Como é feito o Tratamento do HPV?

O vírus do HPV pode ser eliminado espontaneamente, sem que a pessoa saiba que estava infectada. Existem várias formas de tratamento, mas o objectivo de qualquer um deles é destruir o tecido infectado.

No caso de estar perante um carcinoma do colo do útero, o acompanhamento médico é especialmente importante, uma vez que os tratamentos aplicados são mais específicos e rigorosos. No tratamento desta neoplasia estão indicadas terapias multidisciplinares envolvendo a Cirurgia, a Radioterapia e a Quimioterapia.

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Em que consiste a vacina do HPV?

A vacina não protege contra todos os tipos de HPV que podem provocar cancro, mas previne o cancro do colo do útero associado aos dois tipos de HPV mais frequentes.

A idade ideal para vacinação é dos 13 anos, sendo que, actualmente, estão recomendadas três doses:

  • 1.ª dose – a partir dos 13 anos de idade
  • 2.ª dose - 2 meses após a 1.ª dose
  • 3.ª dose - 6 meses após a 1.ª dose

A administração da vacina deve ser registada no Boletim Individual de Saúde.

Todavia, a vacina não protege contra a infecção por todos os tipos de HPV, não prevenindo a totalidade dos casos de cancro do colo do útero, nomeadamente cancros anogenitais e verrugas genitais.

A vacina é exclusivamente preventiva e deve ser administrada, de preferência, antes do início da vida sexual activa.

A maior incerteza no que respeita à vacina diz respeito à duração da imunidade, uma vez que, tratando-se de um fármaco novo, não é possível comprovar a sua persistência para além de cinco anos.

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Quais são as vacinas comercializadas em Portugal?

  • Bivalente - Contempla os serotipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% de casos de cancro do colo do útero.
  • Tetravalente - Contempla os serotipos 16, 18, 6 e 11, responsáveis por cerca de 90% das verrugas anogenitais.

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É recomendada a vacinação nos homens?

A vacinação no homem, embora possa ser efectuada pontualmente por indicação médica, não é recomendada.Se notar verrugas genitais, deve:

  • Recorrer a uma consulta (Médico de Família, Consulta de Infecção de Transmissão Sexual, Urologista).
  • Alertar a(o) sua/seu parceira(o), que deverá também ser observada(o).
  • Usar preservativos nas relações sexuais.

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Caso pretenda obter mais informação, consulte a área das Doenças - HPV e Cancro do Colo do Útero

Se tiver alguma questão adicional envie-nos um email para secretaria@germanodesousa.com ou ligue para 800 209 498.